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Erro Humano em Acidentes Marítimos

  • há 22 horas
  • 3 min de leitura
Navio de carga em alto-mar representando riscos de fadiga e erro humano na navegação.

O que é o "fator humano" na navegação?

A indústria do transporte marítimo possui um papel extremamente importante no processo de globalização, sendo responsável pela movimentação de mais de 80% do comércio internacional em volume e um percentual ainda maior para estados em desenvolvimento.


Dada a magnitude dessa operação, a segurança da navegação se torna uma busca pela estabilidade econômica e proteção ambiental. No entanto, apesar das décadas de avanços em tecnologias de navegação, engenharia naval e regulamentações internacionais, os acidentes marítimos persistem com consequências frequentemente catastróficas. 


Ocupando o ponto central desta problemática, está o "fator humano", um conceito complexo que abrange desde lapsos cognitivos individuais até falhas sistêmicas em organizações de terra e a bordo.

Fatores que contribuem para acidentes marítimos

Os fatores que contribuem para acidentes podem ser divididos em categorias que abrangem problemas físicos, substâncias danosas, erros de comunicação, distrações, julgamentos incorretos, falhas de planejamento e deficiências de manutenção. 


Quanto aos problemas físicos, por exemplo, alguns elementos que o compõem são a fadiga por falta de sono, carga horária excessiva, estresse térmico, ruído e vibração. Esses fatores impactam operacionalmente pois causam a redução da prontidão cognitiva, lapsos de atenção e micro-sonos durante o quarto de serviço. 


Há também fatores organizacionais, como a pressão comercial por prazos, pessoal insuficiente (understaffing), alta rotatividade de pessoal. Nesse ponto, o impacto notado é na tomada de riscos calculados e negligência de protocolos de segurança. 


Já em relação ao ambiente no qual os trabalhadores estão inseridos, fatores como temperaturas extremas, ruído constante e vibração tornam-se estressores que impactam negativamente a produtividade humana.

Fadiga: a causa raiz por trás do "erro humano"

Embora o termo "erro humano" seja frequentemente usado de forma genérica, pesquisas específicas tentam isolar a fadiga como causa raiz. Dados da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) e da Australian Maritime Safety Authority (AMSA) estimam que a fadiga seja a causa determinante em aproximadamente 25% de todas as baixas marítimas.


Essa porcentagem torna-se ainda mais preocupante quando analisamos a influência do erro humano com o tipo de embarcação e operação. Por exemplo, nos navios de carga, mais de 80% dos sinistros são causados por fadiga humana. Em navios de pesca, a fadiga por falta de sono ou problemas físicos é frequentemente o erro mais comum, superando até mesmo falhas de navegação técnica.

  Por que os dados sobre fadiga são pouco confiáveis?

Ainda assim, a análise estatística do quanto a fadiga impacta nos acidentes marítimos encontra uma barreira quanto à confiabilidade dos dados. Pesquisas da Universidade de Cardiff e da Nautilus International indicam que mais de 33% dos marítimos em navios de carga relatam não usufruir o tempo sono suficiente, mas um dado ainda mais preocupante é que cerca de 25% admitem falsificar seus registros de horas de trabalho e descanso.

  As consequências jurídicas em acidentes marítimos

A ocorrência de um acidente marítimo motivado por fadiga ou erro humano desencadeia processos com repercussões significativas para tripulantes, armadores e empresas de seguro. 


No Brasil, é o Tribunal Marítimo o órgão administrativo responsável pelo julgamento dos acidentes da navegação. A sua função é definir as causas do acidente e apontar os responsáveis técnicos.


Apesar de não aplicar sanções penais ou civis diretamente, as decisões proferidas pelo Tribunal são utilizadas como prova técnica pericial para fundamentar condenações por danos morais, materiais ou ambientais.



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