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Descarbonização da navegação e empregos verdes

  • há 11 minutos
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No início do mês, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) realizou um workshop acerca da “Participação setorial no desenvolvimento do PND-Portos e do PND-Navegação”, consolidando tendências, desafios, oportunidades e soluções para diversos setores envolvendo a logística marítima-portuária, dentre nove áreas temáticas.

 

O tema de combustíveis alternativos e energia ainda gera bastante debate, acalorando as discussões acerca da operacionalização do recebimento de combustíveis alternativos e de maior relação com fornecedores, tratando a cadeia logística como uma rede de relacionamentos e possibilidades.

 

O Gás Natural Liquefeito (GNL), por exemplo, ainda é bastante controverso, pois enquanto parte do setor o enxerga como alternativa direta ao óleo combustível pesado, o GNL ainda gera emissões durante sua combustão, e sua cadeia de produção, liquefação e transporte.

 

Em que pese a indústria naval tratar o GNL como combustível de transição, os investimentos não estão sendo convertidos em práticas reais para adaptação ou mitigação às metas da Organização Marítima Internacional, como destaca o Climate Action Tracker [1].

 

Durante a sessão foi destacada a necessidade de uma política nacional de descarbonização que dê atenção à cabotagem, uma vez que toda a emissão é gerada no país, ao passo que a navegação de longo curso deverá adotar as métricas da OMI, considerando as passagens e interações em diferentes países. 

 

Dentre as oportunidades e soluções aos armadores de cabotagem, o MPor destacou a previsibilidade de rotas para planejamento da demanda de combustível e estrutura e corredores verdes para a navegação doméstica, inclusive para criação de indicadores de intensidade e emissão de carbono por tonelada transportada e por unidade logística.

 

Não obstante, fato que gera preocupação é que até o fechamento de informações do mês de junho/2026 da Climate Action Tracker, o Brasil não havia apresentado uma estratégia de longo prazo à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, mantendo-se com avaliação insatisfatória para políticas e metas de emissão líquida zero (net-zero).

 

Percebe-se que, apesar da robusta legislação ambiental brasileira, nossa política de adaptação climática e descarbonização ainda gera debates e está abaixo da evolução esperada.

 

Outra temática de extrema importância pautada no workshop fornecido pelo Ministério de Portos e Aeroportos – e que recebeu novas contribuições públicas até o dia 17/07 – foi a transição justa e a capacitação profissional. Esse assunto muitas vezes fica sufocado pelo avanço de outras iniciativas afins, mas representa um dos pilares do conceito ESG.

 

Um trabalho realizado por pesquisadores do Instituto de Economia da UFRJ para o projeto DIP-BR (Descarbonização e Política Industrial: Desafios para o Brasil) detectou que os empregos verdes estão estagnados, em comparação com o emprego de mão de obra em outros setores com impacto ambiental maior.


Como destacou o hub de pesquisa e ciência, Bori:

“A estagnação da fatia de empregos verdes em 16% ao longo de toda a década indica que o mercado de trabalho brasileiro ainda não absorveu a transição energética de forma estrutural. [...] O Brasil enfrenta simultaneamente dois desafios: reduzir emissões e gerar empregos de qualidade em um contexto de desigualdade estrutural. [2]

 

Isso demonstra que as práticas e políticas ambientais e climáticas devem envolver todos os indivíduos, bases e setores do país, haja vista que a real construção de um futuro socioambiental sustentável demanda esforços comuns.

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